«As parvoíces em que temos de nos meter para chegarmos onde temos de chegar, a extensão dos erros que precisamos fazer! Se nos informassem antecipadamente de todos os erros, diríamos não, não posso fazer isso, têm de arranjar outro qualquer, eu sou demasiado esperto para fazer essas asneiras. E responder-nos-iam, nós temos confiança, não te preocupes, e nós responderíamos não, nada feito, precisam de um schmuck muito maior do que eu, mas eles repetiriam que têm confiança, que somos a pessoa indicada, que evoluiremos para um schmuck colossal mais conscienciosamente do que podemos começar sequer a imaginar, de que cometeremos os erros numa escala que nem podemos sonhar agora: porque não existe nenhuma outra maneira de atingir o fim.» (Philip Roth, in 'Teatro de Sabbath')
Fazia tempo que eu não cometia um erro digno de nota, mas, recentemente, fiz uma filha-da- putagem que vale por todas que deixei de fazer. Prefiro não entrar em detalhes, mas a merda prejudicou outras pessoas, não a mim, é este é o ponto-chave da questão.
Odeio errar. Sou perfeccionista ao extremo e até um pouco vaidosa com as coisas que acho que faço bem, apesar de tentar sufocar ao máximo este aspecto da minha personalidade, já que detesto presunção. Levando isto em consideração, achei que tudo se explicava, basicamente, com o fato de que tenho pânico de críticas - sejam as famosas "construtivas" ou não -, mas percebi que não é bem isso. Meu pânico verdadeiro é o de decepcionar as pessoas.
Quer assumamos isso ou não, creio que todos nutrem expectativas com relação as outros, o que sempre cria a tensão de uma possível - e bem provável - decepção futura. É óbvio que cada pessoa com quem convivemos possui um ideal diferente, então é impossível agradarmos a todos. Mesmo que todas as nossas atitudes fossem calculadas nesse sentido, sempre haveria algum detalhe, alguma coisinha a melhorar. Embora eu saiba disso, faço tudo o que posso para agradar as pessoas ao meu redor. Já tive medo de acabar esquecendo quem eu era nesse processo, de tanto tentar modelar minha forma de agir ao gosto deste ou daquele, mas acredito que isso não tenha acontecido. O que tento fazer é me adaptar, fazendo algumas concessões, mas mudar minha essência, não mudo.
O que acontece é que, neste caso específico, eu poderia ter evitado a decepção com um gesto bem simples, mas escolhi o caminho oposto. Conheço bem meus motivos para isso, mas eles podem ser resumidos em uma palavra: orgulho.
Como já comentei no post anterior, é muito estranho saber que as pessoas realmente gostam e se importam com vc. É um pouco incômodo ter de se preocupar com a possível preocupação dos outros. Seria mais fácil não ter laços, para que, assim, minhas atitudes não afetassem ninguém. Mas é o preço que se paga por estes laços, e eu não creio que gostaria realmente de rompê-los.
Bom, aprendi uma coisa com meu "crime": quando o erro é facilmente evitável, evite-o! Simples assim. Afinal, não é muito difícil saber quando estamos prestes a fazer uma merda. Meu castigo foi ter escutado vários e vários "eu nunca pensei que vc faria isso, pq vc nunca havia feito". Pode parecer não tão cruel assim, mas, pra mim, foi digno de uma tortura medieval.

4 comentários:
Ah, fala sério! Verdad mesmo q vc tava pensando nisso?? Acho q estamos lendo mto o blog 1 do outro hein! rsrs
Na verdad, to pegando algumas ideias suas emprestadas (dsculpa! rs).. e to começando a fazer alguns "quadros" no meu blog.. assim como "Cabeceira do H", "Historia com 'H'" é 1 deles.. mas, logo logo vou lançar o "Hora do H", minha sessão entrevista-biblio.. aí sim vai ser bom.. rsrs
Se eu contar, aí estraga toda a surpresa.. daki umas 3 semanas já vou "estreia-la"! rsrs
Ah menina!
Erros são passiveis de correção!
Não se torture! Ainda que sejas a pessoa mais perfeccionista que conheço, suas 'possíveis' falhas depois de um tempo serão vistas como acertos ideológicos de ordem inversa!
Beijãos da Rakky
Eita... calma... tudo dará certo!
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